O salão paroquial da Rua Pelotas não comportou todo mundo. Cadeiras extras foram colocadas no corredor e, ainda assim, dezenas de moradores ficaram em pé durante a assembleia convocada pela Associação de Moradores do Quarteirão 14, na noite de terça-feira. O motivo: um projeto da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes que prevê o alargamento de calçadas e a criação de duas faixas exclusivas para ônibus na Rua Domingos de Morais, entre a Rua Pelotas e a Avenida Lins de Vasconcelos.
"Ninguém consultou o comércio de esquina, nem os idosos que atravessam essa rua todo dia", disse Helena Siqueira, 62 anos, moradora há 28 anos no quarteirão. "A gente não é contra melhoria, mas quer saber o que muda na prática antes de ver a britadeira chegar."
O que a prefeitura propõe
Segundo o comunicado oficial publicado no Diário Oficial em 3 de junho, a intervenção faz parte do corredor de ônibus da linha verde-sul e deve durar oito meses. O projeto inclui:
- Redução de uma faixa de rolamento para veículos leves em cada sentido;
- Alargamento de calçadas em trechos de 120 metros;
- Remoção de 14 vagas de estacionamento rotativo;
- Instalação de abrigos de ônibus com painéis solares.
A Subprefeitura da Vila Mariana informou, por nota, que "audiências públicas estão previstas no cronograma" e que "a fase de obras só começa após a etapa de comunicação com a comunidade". Moradores contestam o prazo: segundo o cronograma divulgado, a licitação da obra está marcada para julho.
Assembleia e encaminhamentos
A associação distribuiu um questionário impresso a todos os presentes. Das 312 respostas colhidas na hora, 89% disseram não ter sido informados previamente sobre o projeto. Os encaminhamentos aprovados por aclamação incluem:
- Protocolo de ofício conjunto à Câmara Municipal pedindo audiência pública obrigatória;
- Plantão de assinaturas nas portas dos comércios locais durante duas semanas;
- Convite ao vereador da região para a próxima reunião, marcada para 18/06/2026.
"Morador organizado não é obstáculo — é parceiro. Se a prefeitura quer transformar a rua, precisa sentar com quem paga IPTU aqui há década." — João Pedro Mendes, presidente da associação
Comerciantes da região calculam perda de até 30% no faturamento durante a obra, com base em experiências anteriores na Avenida Paulista. A associação pediu à prefeitura um estudo de impacto econômico antes do início dos trabalhos.
O Pagode Digital acompanha as próximas reuniões e publicará atualizações assim que a Subprefeitura responder ao ofício entregue na manhã de quarta-feira.